sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

DEU MERDA!

Os homens precisam se alimentar para sobreviver. Nesse processo orgânico, os alimentos precisam ser convertidos, por meio da “alquimia” estomacal, em algo essencial para manter a vida: energia corporal. Contudo, algo tão sublime gera um resíduo operacional desprezível: as fezes.

Sob certos aspectos, a ação humana é análoga a esse processo. Toda atividade humana, por mais que tenha inspiração e aspiração espirituais das mais elevadas e objetivos mundanos bondosos, de algum modo, provocará resíduos de sofrimento e maldade. Para não ser assim, necessariamente a ação humana teria que ser semelhante à ação divina e isso é logicamente impossível pelo fato de que a ação divina contem em si o universo infinito/eterno de todas as possibilidades, enquanto o homem é, por si mesmo, um fragmento da ação de Deus, uma criatura finita, ainda que passível de alcançar a Eternidade em Cristo Jesus.

É por isso que o Cristianismo tem como princípios fundamentais a abstenção do julgamento alheio e o perdão. De qualquer ação humana resultará necessariamente algo condenável, assim como do banquetear-se procederá inevitavelmente a produção fecal. Não é à toa que nos referimos aos nossos maiores erros, conscientes ou involuntários, com a expressão “deu merda”. Sempre dará para cada um de nós, em maior ou menor escala; daí ser, no mínimo, injusto para qualquer um se arvorar a apontar e condenar os erros alheios, quando ninguém está isento do pecado. Nem o Lula.

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”. (Mateus 7, 1-5)

“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”. (João 8:3-7)

Entretanto, parece-me que o mundo moderno é cada vez mais ávido por julgamentos. E isso está, de um certo modo, relacionado com a teoria materialista da história, que, após colocar como eixo motor da vida humana a necessidade econômica, divide a humanidade entre oprimidos e opressores, de modo que aos primeiros é dado o direito de condenar os segundos sem sequer serem julgados. É como inverter o Evangelho e pregar que Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, sentindo-se oprimido por Pôncio Pilatos, o tivesse imolado ou, pelo menos, arrancado-lhe uma orelha como fez Pedro com o soldado no momento da traição e prisão de Jesus no Horto das Oliveiras. Mas, no Verdadeiro Evangelho, Jesus obriga Pedro a guardar a espada, cura a orelha do soldado opressor e morre "sob Pôncio Pilatos", como ensina o Credo Legítimo.

E a justificativa para essa inversão está no modus operandi da mente materialista que não busca encontrar o Bem nas ações humanas, mas apenas o resíduo que gera a opressão e que estará presente em toda a História Humana. Não por coincidência, os mais opressores dos regimes surge exatamente entre os sistemas políticos materialistas que conseguiram algum sucesso.

Em suma, o materialismo é análogo a um sujeito que se alimentasse com o propósito principal de acumular merda.


Não me parece uma opção muito sábia...

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