Os homens precisam se alimentar para sobreviver. Nesse
processo orgânico, os alimentos precisam ser convertidos, por meio da
“alquimia” estomacal, em algo essencial para manter a vida: energia corporal.
Contudo, algo tão sublime gera um resíduo operacional desprezível: as fezes.
Sob certos aspectos, a ação humana é análoga a esse
processo. Toda atividade humana, por mais que tenha inspiração e aspiração
espirituais das mais elevadas e objetivos mundanos bondosos, de algum modo,
provocará resíduos de sofrimento e maldade. Para não ser assim, necessariamente
a ação humana teria que ser semelhante à ação divina e isso é logicamente
impossível pelo fato de que a ação divina contem em si o universo
infinito/eterno de todas as possibilidades, enquanto o homem é, por si mesmo,
um fragmento da ação de Deus, uma criatura finita, ainda que passível de
alcançar a Eternidade em Cristo Jesus.
É por isso que o Cristianismo tem como princípios fundamentais
a abstenção do julgamento alheio e o perdão. De qualquer ação humana resultará
necessariamente algo condenável, assim como do banquetear-se procederá
inevitavelmente a produção fecal. Não é à toa que nos referimos aos nossos
maiores erros, conscientes ou involuntários, com a expressão “deu merda”.
Sempre dará para cada um de nós, em maior ou menor escala; daí ser, no mínimo,
injusto para qualquer um se arvorar a apontar e condenar os erros alheios,
quando ninguém está isento do pecado. Nem o Lula.
"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois
da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem,
também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no
olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como
você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há
uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá
claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”. (Mateus 7, 1-5)
“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada
em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi
apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais
sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que
tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na
terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes:
Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra
ela”. (João 8:3-7)
Entretanto, parece-me que o mundo moderno é cada vez mais
ávido por julgamentos. E isso está, de um certo modo, relacionado com a teoria
materialista da história, que, após colocar como eixo motor da vida humana a
necessidade econômica, divide a humanidade entre oprimidos e opressores, de
modo que aos primeiros é dado o direito de condenar os segundos sem sequer
serem julgados. É como inverter o Evangelho e pregar que Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, sentindo-se oprimido por Pôncio Pilatos, o tivesse imolado ou, pelo menos, arrancado-lhe uma orelha como fez Pedro com o soldado no momento da traição e prisão de Jesus no Horto das Oliveiras. Mas, no Verdadeiro Evangelho, Jesus obriga Pedro a guardar a espada, cura a orelha do soldado opressor e morre "sob Pôncio Pilatos", como ensina o Credo Legítimo.
E a justificativa para essa inversão está no modus operandi da mente materialista que não busca encontrar o
Bem nas ações humanas, mas apenas o resíduo que gera a opressão e que estará
presente em toda a História Humana. Não por coincidência, os mais opressores dos regimes surge exatamente entre os sistemas políticos materialistas que conseguiram algum
sucesso.
Em suma, o materialismo é análogo a um sujeito que se
alimentasse com o propósito principal de acumular merda.
Não me parece uma opção muito sábia...
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