terça-feira, 21 de outubro de 2014

A CAMINHO DO HOSPÍCIO

The Homesman, o último filme de Tommy Lee Jones, um dos grandes atores do seu tempo e que, agora, como Clint Eastwood e outros, revela-se também um grande diretor, trata de um tema que pode interessar a alguns brasileiros. A “aventura” da pioneira do velho Oeste Mary Bee Cuddy (a sempre notável Hilary Swank) é um exemplo de como as condições culturais deprimentes de um ambiente social podem afetar a vida de uma pessoa que ama as artes e os valores fundamentais do Cristianismo. 

Totalmente isolada num minúsculo povoado no estado norte-americano do Nebraska em 1855, sem possibilidade de comunicação (no sentido aristotélico da comunhão de almas) com outro ser humano e menos ainda de amar (no sentido da fusão de corpos e almas), não pretendo estragar o prazer de quem quiser acompanhar o desfecho desse belo drama selecionado para o Festival de Cannes deste ano.

Entretanto, salvas as diferenças históricas, muitas daquelas condições de desumanidade, beirando a barbárie pura e simples, reinantes em Nebraska do século XIX estão presentes na sociedade brasileira atual. Não é por acaso que nosso país é um dos campeões mundiais em número de pessoascom transtornos mentais, sem falar na depressão e na histeria coletiva que se alastra como fogo em mato seco por todo o território nacional. 

Infelizmente, este assunto, com raríssimas exceções é escamoteado pela maioria dos nossos formadores de opinião, incluindo os artistas, que preferem continuar aplicando na população sedativos culturais com doses cada vez maiores de palhaçadas e bizarrices estupidificantes. 

Em breve todos nós é que precisaremos de um “homesman” para nos conduzir a todos para o hospício...

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